23/11/09

República Oligárquica: Economia e Sociedade

República Oligárquica: Economia e Sociedade
(HB 132) ARIAS, J.M. In: FERREIRA, Jorge & DELGADO, Lucilia A. N. O Brasil Republicano. Volume 1, Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2003, pp. 191-229
(HB151) HOLLANDA, Sérgio Buarque de. “História Geral da Civilização Brasileira” tomo 3, 2º Volume. Cap. V e VII.
(HB 181) BUENO, Clodoaldo. A Política Externa da Primeira República. São Paulo: Ed Paz e Terra, 2003, 2ª parte. pp. 125-359
(HB 141) CARVALHO, José Murilo de Os Bestializados, Cap. 4 e 5
(HB 142) HERMANN, J. In: FERREIRA, Jorge & DELGADO, Lucilia A. N. O Brasil Republicano. Volume 1, Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 2003, pp. 121-160

República Oligárquica: Economia e Sociedade. 1
Economia da República Oligárquica. 1
- Funding loan (1898 = Campos Sales) 1
- Convênio de Taubaté (1906 = Rodrigues Alves) 1
- Desvalorização cambial 1
- Borracha (1890-1910) 1
Sociedade- Movimentos sociais na República Velha. 2
A Guerra de Canudos (1897) 2
O Contestado (1911-1915) 2
A Revolta da Chibata (1910) 3
A Revolta da Vacina (1904) 3

Economia da República Oligárquica
O Encilhamento (1890= Deodoro) da República da Espada trouxe consequencias nefastas. A estabilizacao do Regime Republicano demandou uma espécie de demiurgo, Campos Sales, com governo austero para resolver o problema da dívida externa
- Funding loan (1898 = Campos Sales)
Acordo de renegociaçao das dívidas antigas e novos empréstimo com garantia da renda da alfândega brasileira. Compromisso de diminuição dos gastos públicos o que gera recessão. Apesar de recessivas, as medidas do Funding Loan viabilizam a estabilização das finanças do Estado no médio prazo.
- Convênio de Taubaté (1906 = Rodrigues Alves)
- Com a desvalorização do café, os três governadores (RJ, SP e MG) se reúnem para pedir empréstimos internacionais com garantia do governo federal para a compra interna do produto. Com a estocagem, haveria uma valorização artificial.
- “Socialização das perdas”
- O processo ocorre três vezes, até a presidência de Artur Bernardes.
- Desvalorização cambial
Também altera-se a política cambial, a fim de garantir as exportações.
- o que favorece a Industrialização (RJ e SP). A industrialização brasileira nao nasce como a substituição de importaçao, nasce sob concorrencia externa, em setores de baixo valor, indústria de artigos despresados. Houve concentração de fatores no SE porque estava disponível capital, MDO, mercado relativamente concentrado, matérias primas, capacidade geradora de energia e sistema de transporte ligado aos portos.
- Com a 1ª Guerra, começa a substituição das importações pelo uso da capacidade ociosa das indústrias. Utilização da plena capacidade instalada porque nao tinha como ampliar ou criar novas fábricas.
- Borracha (1890-1910)
- Com a 2ª RI, descobre-se o processo de vulcanização e a borracha passa a ser
utilizada na confecção de pneus de carros e de bicicletas.
- Começa uma migração em massa do NE para a região Amazônica,
especificamente para o Acre.
- Inferno verde.
- O confronto com a Bolívia pelo Acre se resolve com o Tratado de Petrópolis, de
1903.
- Declínio: os ingleses levam a seringueira para a Malásia e plantam a árvore em
sistema de lavoura. Os holandeses fazem o mesmo na Indonésia.
- A crise econômica na Amazônia é temporariamente superada com a criação de
Fordlândia, durante a 2ª Guerra, e da Zona Franca de Manaus, posteriormente.

Sociedade- Movimentos sociais na República Velha

- A Guerra de Canudos
- O Contestado
- A Revolta da chibata
- A Revolta da vacina
- A Revolta do Juazeiro
- Nasce de questões políticas, e só depois envolve as sociais (o salvacionismo de Hermes da
Fonseca vai contra o poder do coronel Floro Bartolomeu, do Crato, que com o apoio do Pe.
Cícero ensaia uma revolta).
- O “cangaço”
- “Banditismo social” que, com a centralização, a partir de 1930, perde expressão.

A Guerra de Canudos (1897)
- Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, começa a correr o sertão protestando contra o
abandono das igrejas e cemitérios causado pela laicização do Estado, arregimentando milhares de
seguidores para restaurar as igrejas, anunciando profecias e criticando o governo.
- Funda então o arraial do “Belo Monte”, na fazenda abandonada de Canudos, às margens
do leito seco do rio Vaza-Barris.
- Por que a repressão foi tão violenta?
1) Desarticulação da MDO local: com o aumento da população em canudos, havia menos
votos e menos braços disponíveis para os coronéis locais e para a igreja.
2) No Rio, Canudos é retratado como um perigoso bastião monarquista, símbolo do atraso.
- Os oligarcas precisam provar a viabilidade da República e vencer a disputa de poder com os
jacobinos.
- Moreira Cesar, o treme terras, vai para a Bahia, a fim de consagrar-se como o novo líder militar do país, mas é morto.
- Após quatro expedições, Canudos é destruído por uma expedição liderada pelo próprio
Ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt.
- Canudos foi, sem dúvida, um marco da exclusão social no Brasil.
- Os moradores do “Belo Monte” foram arrasados e os soldados que os arrasaram não receberam as casas que tinham sido prometidos, sendo abandonados no Morro da Providência.

O Contestado (1911-1915)
- O movimento ocorre em uma zona de litígio entre SC e PR.
- Os governos dos dois estados acusam o movimento de ser cooptado pelo outro estado.
- Lideranças messiânicas: José Maria é o novo D. Sebastião e nomeia os 12 pares de França.
- O governo havia contratado a Southern Brazil Railway, de Percival Farquhar, para construir uma ferrovia de SP a PoA, passando pela região.
- Com a desapropriação das terras e o fim das obras, há muita MDO ociosa na região, que acaba se unindo ao movimento.
- Havia também uma empresa madeireira na região, que também se interessava pelo plantio de erva mate.
- Há, de fato, seis interesses em jogo:
1) Ferrovia
2) Madeira e erva mate
3) Governo do PR
4) Governo de SC
5) Governo federal
6) Movimento messiânico

- No contexto do governo Hermes da Fonseca, a revolta é duramente reprimida, com a participação
até da força aérea. Uso de aviões em guerra antes da propria primeira guerra mundial que consagrou o uso bélico dos aviões
- A região acaba ficando com SC.

A Revolta da Chibata (1910)
- Fruto dos maus tratos aos quais estavam submetidos os marinheiros da armada.
- Reivindicações: fim da chibata e anistia.
- Liderados pelo marinheiro João Cândido Felisberto, os marinheiro do Minas Gerais recebem a adesão de mais três navios.
- Após o bombardeio da cidade, os marinheiros são anistiados por intervenção parlamentar.
- Os oligarcas querem desmoralizar Hermes (em suas primeiras semanas no cargo).
- A Revolta da Ilha das Cobras (dos fuzileiros navais) vem logo depois, e os seus líderes são punidos junto com os da revolta da chibata (colocados em sala de cal fresco, pulmões viram gesso).

A Revolta da Vacina (1904)
- Rodrigues Alves resolve empreender a modernização da capital, e forma um gabinete de notáveis, com o Barão do Rio Branco, Paulo de Frontin, Pereira Passos e Oswaldo Cruz.
- A campanha de vacinação obrigatória é o estopim da revolta.
- Possíveis causas:
1) Gota d’água do “bota abaixo”, parte da campanha “o Rio civiliza-se”.
2) José Murilo de Carvalho, em Os bestializados, afirma que esse não foi o caso, já que a reforma de Pereira Passos não atingiu as principais regiões da revolta. Tratava-se, isso sim, de uma questão política e moral. Política, pois os cadetes da escola militar se rebelam, em um movimento contra as oligarquias. Moral, pois o povo não aceitou a ingerência do governo sobre seus próprios corpos.
3) O povo estava com medo: agulha na virilha? Bovinização?
- Com a revolta, a campanha foi suspensa.

Observações
- Nenhum desses movimentos tinha propostas, o que só acontece com o movimento operário na
década de 1920.
- A exclusão social é a principal característica da República Oligárquica.

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